Transtornos de ansiedade

Uma abordagem terapêutica

Os transtornos de ansiedade não têm tido grande atenção no mundo social, principalmente, no mundo corporativo, a ponto de muitos indivíduos afetados serem censurados ou até humilhados. Pelo fato de os transtornos de ansiedade não terem tanto impacto a nível de mortalidade, apesar do risco de suicídio, eles muitas vezes são tratados como uma “frescura”, ao invés de uma doença real.

Esse quadro inconveniente está começando a mudar. De acordo com o psiquiatra Dr. Steven Hyman, da Universidade de Harvard, e o psicólogo e neurocientista cognitivo Jonathan Cohen, da Universidade da Pensilvânia, “pesquisas epidemiológicas que avaliaram os impactos econômicos das doenças mostram um enorme prejuízo proveniente dos transtornos de ansiedade, os quais tendem a iniciar precocemente e interferir tanto na capacidade de aprendizado de indivíduos jovens quanto na capacidade de trabalhar de indivíduos adultos”. Entender as bases científicas que causam estes transtornos é de suma importante para a mudança de pensamento a despeito deste quadro.

Apesar de termos uma longa caminhada pela frente no que diz respeito ao entendimento das bases neurais, ou mesmo genéticas, desses transtornos, tem-se estudado a fundo a relação do desenvolvimento pessoal e ambiental que estão associados a eles. Não há mais discussão sobre os transtornos de ansiedade serem transtornos reais do encéfalo. Nesse contexto, hipóteses acerca de quais circuitos neurais fazem parte dos processos que causas esses transtornos de ansiedade estão sendo testadas, bem como a utilização de neuroimagens para contribuir com as pesquisas.

Não existe uma cura para os transtornos de ansiedade no contexto dos tratamentos disponíveis atualmente. Entretanto, existem muitos medicamentos, além da terapia cognitivo-comportamental, que podem aliviar os sintomas, a ponto de promover o alívio dos sintomas em muitos pacientes. Os estudos dos transtornos de ansiedade apresentam diversos desafios para as neurociências, porém desafios com recompensas muito significativas para a saúde humana.


Ansiedade: um medo anormal

O medo é uma resposta adaptativa a situações de perigo. O medo é expresso pela resposta de luta ou fuga, mediada pela divisão simpática do sistema nervoso visceral. Muitos medos são inatos, isto é, não precisamos aprender a ter medo de certas coisas. Entretanto, o medo também pode ser aprendido. Não nascemos com medo de fogo. Mas, basta se queimar uma vez, para que você fique esperto e evite fazer isso em uma próxima vez.

O valor adaptativo do medo é evidente. Como diz o ditado: “Seguro morreu de velho, e o desconfiado ainda está vivendo”. Contudo, o medo não é uma resposta apropriada ou adaptativa em todas as circunstâncias. A expressão anormal de medo caracteriza os transtornos de ansiedade, os mais comuns dos transtornos psiquiátricos.


A Terapia Cognitivo-Comportamental

A Terapia Cognitivo-comportamental, comumente chamada de TCC, tem se popularizado como um tratamento eficiente e de resultados duradouros para muitos tipos de problemas psicológicos. Se o termo “psicológico” faz você pensar que a mente não faz parte do corpo, quer dizer, do encéfalo, repense. Em algum momento da sua vida, alguma coisa vai estar errada com o seu corpo. Então, por que as pessoas presumem que suas mentes e emoções estariam imunes a algum tipo de desordem ou transtorno?

A Terapia Cognitivo-comportamental enfoca a maneira como as pessoas pensam e agem para ajudá-las a superar seus problemas. Muitas das práticas eficazes de TCC deveriam fazer parte do senso comum diário. A TCC tem princípios muito diretos e claros, e é uma abordagem bastante lógica e prática para ajudar as pessoas a superarem seus problemas. No entanto, os seres humanos nem sempre agem de acordo com princípios lógicos, e a maioria das pessoas acredita que soluções fáceis às vezes são muito complicadas de serem colocadas em prática. A TCC pode maximizar o senso comum e ajudar as pessoas a fazerem coisas saudáveis de um jeito consciente e confiante regularmente.


A ciência e a TCC

A eficácia da TCC para vários problemas psicológicos tem sido mais pesquisada que qualquer outra abordagem psicoterápica. A reputação da TCC como um tratamento altamente eficaz está crescendo. Diversos estudos revelam que esta terapia é mais eficaz que apenas o uso de medicação para os tratamentos da ansiedade. Com isso, métodos de tratamento mais curtos e mais intensos têm sido desenvolvidos para transtornos específicos, como pânico, ansiedade no convívio social ou preocupação extrema.

Pesquisas apontam que as pessoas que usam a TCC para vários tipos de problemas – em particular para ansiedade e depressão — permanecem bem por mais tempo. Isso significa que as pessoas adeptas da TCC têm recaídas com menos frequência do que as que optam por outras formas de psicoterapia, ou apenas fazem uso de medicação. Esse resultado positivo é obtido em parte por conta dos aspectos educativos da TCC — as pessoas que fazem esta terapia recebem uma boa quantidade de informações que podem ser usadas a fim de que se tornem seus próprios terapeutas.

A TCC é científica não apenas no sentido de ter sido testada e desenvolvida por meio de numerosos estudos, mas também no sentido de que encoraja as pessoas a se tornarem uma espécie de cientista. Por exemplo, durante a TCC, você pode desenvolver a habilidade de tratar seus pensamentos como teorias sobre a realidade a serem testadas (o que os cientistas chamam de hipóteses), em vez de como fatos.


Entendendo a TCC

A Terapia Cognitivo-comportamental é uma vertente da psicoterapia, cujo objetivo é ajudar pessoas a superar seus problemas emocionais. Terapia é a palavra usada para descrever uma abordagem sistemática para combater um problema, uma doença ou uma condição irregular. O termo cognitivo significa os processos mentais, como o pensamento. A palavra “cognitivo” refere-se a tudo o que se passa na sua mente, como sonhos, lembranças, imagens, pensamentos e atenção. O termo comportamental refere-se a tudo o que você faz, isto é, seu comportamento, tanto a nível fisiológico (emocional), quanto físico (habitual). Isso inclui o que você diz, como tenta resolver seus problemas, como age, como evita certas situações, etc. Comportamental diz respeito tanto à ação quanto à falta dela. Por exemplo, quando você se cala ao invés de dizer o que pensa, isso também é um comportamento, mesmo que você esteja tentando não fazer algo.

O conceito central na TCC é que você sente o que você pensa. Então, a TCC trabalha de acordo com o princípio de que você pode viver mais feliz e produtivamente se pensar de modo saudável


Referências bibliográficas

Cognitive Behavioural Therapy For Dummies, 2nd Edition. Copyright © 2010 John Wiley & Sons, Ltd.

Neuroscience: exploring the brain, 4th edition. Copyright © 2015 Lippincott Williams & Wilkins, a Wolters Kluwer business.

Principles of neural science, 5th edition. Copyright © 2013 The McGraw-Hill Global Education Holdings, LLC.


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