Faço aquilo que quero ou sou forçado a isso?

Atualizado: Ago 19

A pergunta deste post foi feita para introduzir um tema conhecido por praticamente todos, mas entendido por praticamente ninguém: livre-arbítrio. Para falar de livre-arbítrio, quero começar falando sobre o Transtorno da Personalidade Antissocial, também conhecido como psicopatia ou sociopatia, de acordo com o DSM-5 (quinta edição do manual de diagnóstico de transtornos mentais).


O primeiro parágrafo do DSM-5 diz o seguinte sobre isso: "A característica essencial do transtorno da personalidade antissocial é um padrão difuso de indiferença e violação dos direitos dos outros, o qual surge na infância ou no início da adolescência e continua na vida adulta. Esse padrão também já foi referido como psicopatia, sociopatia ou transtorno da personalidade dissocial. Visto que falsidade e manipulação são aspectos centrais do transtorno da personalidade antissocial, pode ser especialmente útil integrar informações adquiridas por meio de avaliações clínicas sistemáticas e informações coletadas de outras fontes colaterais”.


A questão aqui é a seguinte: O psicopata é manipulador e sem empatia por vontade própria? Ou existe alguma relação entre o mecanismo cerebral dele e esse comportamento? Alguns de vocês já devem ter ouvido falar na história de Phineas Gage. Para aqueles que nunca ouviram, serei bem breve...


Em 1848, um operário americano, chamado Phineas Gage, sofreu um acidente, no qual uma barra de um metro e meio de comprimento atravessou seu cérebro, durante uma explosão. A área do cérebro a qual foi perfurada se chama córtex pré-frontal ventromedial. Esta região é responsável pela gestão das emoções criadas pelo sistema límbico e pela tomada de decisão com base nas emoções (dentre outras coisas...). Antes do acidente, Gage era um operário exemplar e uma excelente pessoa. Tinha vários amigos e era tido como “aquele que se quer por perto”. Depois do acidente, Gage, aparentemente não tinha nenhum problema (tirando o fato de que uma barra de 1,5 metros atravessou seu crânio). Enfim, ele podia se mover normalmente, falar normalmente, agir normalmente... com uma diferença: agora, Gage era um psicopata. A falta da região que controlava suas emoções impediu que Gage pudesse ser aquele rapaz gente boa e aquele operário exemplar. Ao invés disso, ele se tornou estúpido, grosseiro, perdeu totalmente o respeito pelas pessoas, não conseguia se manter em nenhum emprego (até virou atração de circo), brigava com qualquer um que ele não gostasse, e perdeu totalmente a noção do certo e do errado.



Com base na história de Gage, quantas pessoas vocês conhecem que já fizeram um mapeamento cerebral pra ver se está tudo nos conformes? Como podemos ter certeza que nosso cérebro funciona exatamente como deveria funcionar? Como saber se aquilo que queremos fazer vem realmente da nossa própria vontade?


Alguns de vocês já devem ter conhecido algum autista e nem se deram conta. Alguns dos comportamentos de um autista acontecem bem diferente daquilo que as pessoas consideram normal, mas, fazer o quê? É assim que o cérebro deles funciona. Além disso, estudos recentes comprovam que, antes de tomarmos uma decisão conscientemente, circuitos cerebrais se modificam inconscientemente, independente da nossa vontade. Então, como saber se aquilo que eu quero fazer realmente partiu da minha própria vontade?


Nosso cérebro é uma máquina incrível, porém, imperfeita. Eu mesmo queria que alguns de meus comportamentos fossem diferentes. Mas, por mais que eu queira, alguns deles são mais fortes que a minha própria vontade.


Bem, fica o questionamento aí para pensarmos...

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