Explicando o Subconsciente

Atualizado: Mai 16

Em neurociência, subconsciente não existe. Este é o ponto de partida para entendermos o que é o subconsciente que tanto falam por aí.




Existem 2 tipos de memórias: implícitas e explícitas. As implícitas são memórias automáticas, memórias de habilidades, que são ativadas involuntariamente quando fazemos alguma coisa. Essas memórias ditam o nosso comportamento. As memórias explícitas são as nossas lembranças, que podem ser evocadas voluntária ou involuntariamente. Essas memórias ditam os nossos pensamentos.


As memórias são formadas por conexões neurais, chamadas de sinapses. Um conjunto de sinapses especificas é chamado de caminho neural. Quanto mais utilizamos um caminho neural, mais ele se fortalece, tanto para o comportamento quanto para o pensamento.


Nosso comportamento pode ser “pré-ativado” por um processo que se chama priming. É basicamente um processo de condicionamento. Nos pensamentos, existe um processo muito parecido, denominado experiência. Nossas experiências refinam as conexões sinápticas. O desenvolvimento das funções mentais do ser humano é determinado pela experiência (por situações já vividas, por informações já processadas).


Quanto mais refinado estiver um circuito, mais difícil será eliminá-lo, a fim de formar outro. Essa dificuldade é chamada de plasticidade competitiva. É este processo que chamamos de subconsciente. Então, subconsciente nada mais é do que as nossas sinapses reforçadas e refinadas. Por isso é tão difícil eliminar um hábito, um pensamento recorrente, um comportamento que temos há anos...


Imagine um livro que conta uma história. O livro tem 1.000 páginas. Você consegue ler esse livro em 24h sem parar. Quando este livro vira filme. O filme tem cerca de 9 horas. Isso quer dizer que muitos detalhes já se perderam, apesar da essência continuar. Quando você vai fazer um resumo do livro para um amigo que nunca leu o livro nem assistiu o filme, você conta a história em 20 minutos. Isso quer dizer que a história original já não existe mais, os detalhes tampouco; mas, a essência permanece.


Imagine que o processo de transformação do livro em filme seja um processo de percepção consciente; você está tirando uma parcela do todo e adaptando a um viés (um ponto de vista). Já o resumo do filme seria o “subconsciente”, nada do original, apenas a essência. Isso porque você refinou tanto a história que fica difícil sair da essência para o original.

Com a memória é a mesma coisa. Depois que você refina todos os caminhos neurais, deixando apenas a essência, fica difícil você desfazer esse processo para readaptar a memória original.


Mas, nós conseguimos fazer isso?


Sim, conseguimos! A memória é plástica, ela se adapta, ela se modifica. Apesar de haver uma competição, onde o mais forte vai ganhar, quem persistir por mais tempo, vence. Todos os nossos comportamentos e pensamentos são “feitos” de memórias. Então, se você quer adaptar, modelar, modificar uma memória, basta persistir.


Mas, não se trata apenas da "foça" das conexões


Quando o sistema de recompensas induz uma impulsividade sobre determinada ação, por causa da sensação de recompensa que o cérebro vai ter, relacionada ao sistema dopaminérgico mesolímbico, este sistema de recompensas estaria agindo como o tal “subconsciente” novamente. Então, entra o sistema reflexivo, formado pelo córtex pré-frontal, que vai fazer você refletir sobre a ação impulsiva que você está tomando. Este sistema estaria agindo como “o consciente”, no modelo de mente que a maioria conhece aqui.


Em resumo, se você olha um bolo de chocolate, cheio de carboidratos, gordura, serotonina em forma de chocolate, dopamina em forma de prazer… você logo tende a pegar um pedaço e “colocar pra dentro”. Isso porque o cérebro está mais preocupado com a sensação do prazer e as recompensas que isso vai gerar a nível químico, do que com seu físico fitness. Não importa o tamanho do estoque de gordura que você tem no corpo. O importante é você sentir prazer.

Este é outro caminho pra responder à pergunta “por que é tão difícil mudar um comportamento habitual?” Neste caso, esse comportamento envolve uma alteração química direta no sistema nervoso central, o que a plasticidade competitiva não gera. No caso da plasticidade competitiva, a alteração que acontece não é direta, mas sim, indireta; pois, quanto mais você usa uma rede neural, mais forte ela fica, sendo difícil de eliminá-la posteriormente.


E agora, o que fazer para mudar isso?


Não vou te enganar... não é simples! A produção química natural de dopamina nas vias dopaminérgicas mesolímbicas tem que ser algo que venha de você. Você tem que encontrar prazer nas coisas benéficas, como exercícios, como estudo, como uma boa leitura. Eu não posso dizer pra você que existe uma fórmula mágica para isso. Está em suas mãos.


Texto por Gustavo Licursi

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