A HIPNOSE E O SONO REM - Uma relação entre o sono REM e a hipnose



Os Estados Funcionais do Encéfalo

Várias vezes durante uma noite, entramos em um estado chamado de sono de movimento rápido dos olhos, ou sono REM. Nesse estágio, o eletroencefalograma (EEG), assim como na hipnose, se parece mais com o estado acordado do que com o estado adormecido. Durante o processo de hipnose, o corpo (exceto para os músculos dos olhos e os respiratórios) está totalmente relaxado e você invoca ilusões detalhadas e vívidas. Da mesma forma, isso ocorre durante o sono REM e essas ilusões são chamadas de sonhos.

Durante o sono não REM, são raros os sonhos detalhados, irracionais e elaborados, embora não estejam completamente ausentes. William Dement, da Universidade Stanford, um pioneiro na pesquisa do sono, caracteriza o sono não-REM como um encéfalo indolente em um corpo em movimento.


Em contrapartida, Dement chamou o sono REM de um encéfalo ativo e alucinando em um corpo paralisado, da mesma forma como ocorre na hipnose. O sono REM é o sono em que se sonha. Na hipnose, esses sonhos acontecem como se estivéssemos acordados.


Sabemos que o conteúdo dos sonhos é influenciado por estímulos sensoriais. Acredito que isso seja o motivo de as sugestões hipnóticas funcionarem tão bem, como se fosse uma construção em tempo real de um sonho, influenciada por outra pessoa.


O EEG durante o sono REM parece quase indistinguível daquele de um encéfalo ativo, quando a pessoa está em estado de vigília, com oscilações rápidas e de baixa voltagem. Essa é a razão pela qual o sono REM é, às vezes, chamado de sono paradoxal. Na hipnose, a pessoa pode parecer plenamente acordada, o que de fato não está, apesar de seu encéfalo estar altamente ativo, como no sono REM.


De fato, o consumo de oxigênio pelo encéfalo (uma medida de sua utilização de energia) é mais elevado no sono REM do que quando estamos acordados e concentrados em problemas matemáticos difíceis. A paralisia que ocorre durante o sono REM é causada por uma perda quase total do tônus muscular esquelético, da mesma forma como acontece com algumas pessoas que entram em estado de hipnose. Claro que isso não é regra. Mas, geralmente, quanto mais profundo for o estado de hipnose, menor será o tônus muscular da pessoa hipnotizada. De uma maneira geral, durante o sono REM, o encéfalo parece estar fazendo qualquer coisa, exceto repousar.

Ainda não se sabe o motivo da necessidade de os animais dormirem. Acredito que, se isso acontecer, talvez seja um passo para que descubramos o motivo de entramos em estado hipnótico.


Não se sabe o motivo, mas o corpo anseia por entrar em sono REM. Talvez, por isso algumas pessoas entram em estado hipnótico com uma grande facilidade. Uma vez em sono REM, caso a pessoa seja acordada durante o sono, ela rapidamente voltará para o sono REM, da mesma forma como ocorre durante o processo hipnótico. Nesse intervalo, como o sono é um processo altamente amnésico, raramente a pessoa vai se lembrar do que ocorreu nesse meio tempo.


Não existe qualquer comprovação disso que foi dito, apesar dos estudos científicos a respeito dos sonos e dos sonhos terem se iniciado há muitos anos. Por isso não há uma conclusão assertiva acerca deste assunto. Portanto, podemos apenas especular e torcer para que alguém encontre uma resposta definitiva para estas questões.

A conclusão que eu posso chegar sobre o que foi dito é que a hipnose é um processo que induz o sujeito a entrar em sono REM, sem passar pelos quatro primeiros estágios do sono.


Texto por Gustavo Licursi

Faculdade da Mente

Fonte de pesquisa “Neurociências: Desvendando o Sistema Nervoso” - 4ª Ed. / Mark F. Bear, Barry W. Connors, Michael A. Paradiso

43 visualizações

©2020 por Faculdade da Mente.

SMPW Trecho 3 Bloco B Loja 15 Edifício BanShop - Brasília/DF

CNPJ 24.701.671/0001-48

Telefone/WhatsApp +55 (61) 4141-9965

A data estimada para entrega dos produtos dependerá do produto escolhido